Título: O Vingador do Futuro
Título Original: Total Recall
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Kurt Wimmer e Mark Bomback
Gênero: Ação/Ficção Científica
Duração: 118 Minutos
Algumas polêmicas cercavam esse novo Vingador do Futuro: mais um remake, Colin Farrell no papel que um dia pertenceu a Schwarzenegger e o fato de entregarem na mão de Len Wiseman (diretor da terrível franquia "Anjos da Noite") o remake de um filme dirigido pelo cultuado Paul Verhoeven. Felizmente, tudo ficou apenas em reclamações "pré-filme" e o que vemos na tela é um competente filme de ação que, se perde o carisma e charme de Schwarzenegger, ganha o talento de Colin Farrell.
O roteiro escrito pelos irregulares Kurt Wimmer e Mark Bomback traz a história de Douglas Quaid, um funcionário de uma fábrica que, ao se ver "preso" a uma vida sem graça e monótona, busca os serviços da empresa Rekall, uma empresa que implanta lembranças falsas na memória dos clientes. Algo dá errado e além de precisar fugir por sua vida, Quaid precisa descobrir se o que está vivendo é real ou apenas falsas lembranças.
Quando a primeira cena começou a passar na tela e vi que Len Wiseman resolveu começar seu projeto mostrando Colin Farrell sem camisa e Kate Beckinsale só de calcinha, temi pelo que estava por vir. Sorte foi que, mesmo que não se apresente como um perfeito exemplar de discussão filosófica, o longa tenta não se resumir a isso. Tenta tanto que acaba quase se sabotando ao trazer uma discussão pretensiosa sobre existencialismo que, além de nunca ir a lugar algum e apenas servir como desculpa para a recitação de frases de uma breguice ímpar ("não sei quem eu fui, mas sei quem sou!"), se mostra sempre superficial já que como notamos não há base intelectual dos roteiristas para tal ato.
Quando somos poupados disso, nos é apresentado um texto decente que consegue contar de forma decente uma história que poderia se tornar confusa e, por incrível que pareça, foge de peripécias excessivas demonstrando algum respeito pelo intelecto de seu espectador. O roteiro também abraça alguns clichês, mas os trabalha de forma competente sem deixar que isso incomode ou prejudique a película.
Pena é que nem tudo são rosas e mesmo que não sejam fatais, alguns furos no roteiro incomodam bastante. Como a mensagem foi guardada no banco se o seu encarregado foi capturado enquanto gravava a mesma? Como um personagem consegue conversar e fazer perguntas para sua gravação já que esta trata-se de uma... gravação? Além desses e outros furos, a trama envolvendo Kate Beckinsale (esposa de Quaid) acaba sendo esquecida em certo momento e é terminada de uma forma tão inorgânica que parece que seus roteiristas realmente esqueceram da personagem até o fim do filme e tiveram que retornar a ela para fechar seu arco.
Como disse anteriormente, grande acerto do novo Vingador do Futuro reside no talento de Colin Farrell. Conhecido por sua cara de choro eterna, o ator consegue encarnar seu personagem muito bem, demonstrando a frustração com sua vida, sua confusão quando a trama começa a se desenrolar e encara as cenas de ação de forma competente, preenchendo todas as lacunas de seu personagem de foma bastante correta, dando espaço até mesmo para que sua cara de sofrido encaixe em certas cenas. Bryan Cranston mesmo com pouco tempo de tela, rouba a cena cada vez que aparece (principalmente em uma cena específica na qual confronta Quaid) mostrando os motivos de ser um de meus atores atuais favoritos. Kate Beckinsale e Jessica Biel estão até confortáveis em seus papéis, mas claramente estão ali por seus rostos bonitos, corpos bem definidos, figurino apertado e armas na mão.
Dito isso, finalmente chegamos à surpresa do projeto: Len Wiseman. Críticado (justamente) por muitos, nesse seu novo filme Wiseman aparece muito mais contido e competente. O diretor consegue usar muito bem o visual (a parte abandonada da cidade é linda), as armas futurísticas, os carros voadores e, em uma cena em específico, a falta de gravidade para criar cenas de ação estilosas. Os movimentos de câmera também trazem uma diferença no filme, como no "falso plano-sequência" que vemos nos trailer e também em outras cenas mais a frente do longa. Wiseman consegue até mesmo criar tensão como vemos na ótima cena em que Quaid se encontra encurralado, confrontado e precisa tomar uma decisão difícil sobre a realidade ou ficção do que está vivendo.
Vingador do Futuro é um bom remake, uma ficção científica decente e tecnicamente muito bem executado. Talvez se não fosse a ausência do sensacional sotaque de Schwarzenegger, o filme pudesse alcançar outros patamares.
NOTA: 3.5/5
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terça-feira, 7 de agosto de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Anjos da Noite 4 - O Despertar
Título: Anjos da Noite 4 - O Despertar
Título Original: Underworld: Awakening
Diretor: Mans Marlind e Bjorn Stein
Roteiro: Len Wiseman, John Hlavin, J.Michael Straczynski e Allison Burnett
Gênero: Ação/Terror
Duração: 88 Minutos
Você pega a Kate Beckinsale, coloca ela em uma roupa de couro, arma na mão e sendo uma vampira. Junta tudo isso com mais vampiros e adiciona lobisomens. Adicione uma guerra entre lobisomens e vampiros. Adicione a mesma Kate Beckinsale atirando em tudo e todos que entram em sua frente. Não tem como sair algo ruim, certo? Errado! Jogue tudo isso no colo de diretores e roteiristas incompetentes e você verá todo esse mundo bonito, maravilhoso e sangrento afundar como um pequeno e indefeso barco de madeira ao se chocar contra uma pedra.
O texto escrito por nada mais, nada menos que 5 roteiristas (sempre um "Red Alert" cinematográfico) traz de volta a vampira caçadora Selene (Kate Beckinsale). Os humanos descobriram que outras espécies moram entre eles e decidiram por caçar e expurgá-los. No meio disso, Selene tenta fugir com seu amor, um híbrido caçado pelos Lycans. No meio da fuga os dois são capturados e levados para o laboratório de uma corporação. Selene é misteriosamente libertada e corre atrás para saber onde está, qual o motivo de ter ido parar ali e quem a libertou.
É agoniante saber que 5 mãos escreveram esse filme. A história é praticamente inexistente e o que existe é completamente confuso. Nunca sabemos se o filme se trata da busca da protagonista, do expurgo das raças, da contínua guerra entre Lycans e Vampiros ou da "reviravolta" que acontece logo em seu começo. Perdido em sua própria história, o roteiro é claramente uma simples desculpa para uma punhetagem visual inacreditável, que nem mesmo é competente para cobrir as falhas do script. Recheado de diálogos risíveis que beiram o patético, o texto ainda escracha a preguiça e falta de cuidado de seus escritores ao apresentar o policial Kolb (Jacob Blair) como parceiro inexperiente e incômodo do detetive Sebastian (Michael Ealy) que, sem explicações ou qualquer tipo de preocupação, some da projeção de forma abrupta, como se os roteiristas tivessem simplesmente se esquecido que criaram aquele personagem algum dia.
Ainda no quesito personagens somos apresentados à menina Eve (India Eisley) que deveria apresentar algum tipo de importância a trama, mas sua história nunca é realmente explicada, sua importância nunca realmente mostrada e a personagem é rasa como uma piscina infantil, deixando em cena apenas mais um rostinho bonito de enfeite.
Tendo em mãos um roteiro tão problemático e rasteiro, os diretores não se esforçam nem um pouco para melhorar as coisas. Trabalhando com o visual "over" e fora de tom de todo o filme - desde figurinos a interiores - que já é característico da série, Marlind e Stein apresentam sempre cenas de ação sem graça, apostando na violência e sanguinolência de suas sequências que não funcionam em momento algum, chegando a constranger o espectador já que criar cenas divertidas e empolgantes envolvendo uma gostosa e alguns lobos e vampiros deveria ser obrigação de qualquer diretor que ousa lançar um filme. Essa escolha pelo gore poderia ser vista como corajosa, mas ao vermos como os diretores conduzem o filme, logo percebemos que servem como metáfora para os clássicos adolescentes "Macho Alfa". Explico: a câmera sempre procura pelos ângulos mais "reveladores" de Beckinsale e sua apertada e maravilhosa roupa de couro, mostrando seus seios ou bunda em close sempre que uma pose mais elástica os realça, mas quando temos a protagonista nua, toda a coragem desaparece instantaneamente e em vez de uma cena épica que salvaria parte da projeção, somos agraciados pelos braços da atriz cobrindo seus dotes e truques de câmeras para esconder os corpo desnudo da mesma.
Piorando um pouco mais as coisas temos um elenco ímpar. Todos parecem ter saído de uma câmara de congelamento facial exibindo uma inexpressividade torturante durante todos os longos 90 minutos de filme. A única que consegue sair desse estado é Beckinsale que consegue alternar entre a inexpressividade e a velha tática de qualquer vestibulando ou aluno de ensino médio ao encarar uma prova de múltipla escolha: utilizando uma cara de assustada/surpresa em toda a projeção, a atriz acaba por acertar em alguns momentos, fazendo com que sua quase careta combine com a cena e situação na qual se encontra, tornando tudo um pouco menos patético.
Mesmo assim esse filme me fez pensar e chegar a duas certeiras conclusões:
1) Logo algum programa de filmes da madrugada de um canal aberto se deliciará com toda a franquia Anjos da Noite.
2) Toda a franquia deveria seguir seu nome original e se jogar no submundo das produções Hollywoodianas.
NOTA: 1.5/5
Título Original: Underworld: Awakening
Diretor: Mans Marlind e Bjorn Stein
Roteiro: Len Wiseman, John Hlavin, J.Michael Straczynski e Allison Burnett
Gênero: Ação/Terror
Duração: 88 Minutos
Você pega a Kate Beckinsale, coloca ela em uma roupa de couro, arma na mão e sendo uma vampira. Junta tudo isso com mais vampiros e adiciona lobisomens. Adicione uma guerra entre lobisomens e vampiros. Adicione a mesma Kate Beckinsale atirando em tudo e todos que entram em sua frente. Não tem como sair algo ruim, certo? Errado! Jogue tudo isso no colo de diretores e roteiristas incompetentes e você verá todo esse mundo bonito, maravilhoso e sangrento afundar como um pequeno e indefeso barco de madeira ao se chocar contra uma pedra.
O texto escrito por nada mais, nada menos que 5 roteiristas (sempre um "Red Alert" cinematográfico) traz de volta a vampira caçadora Selene (Kate Beckinsale). Os humanos descobriram que outras espécies moram entre eles e decidiram por caçar e expurgá-los. No meio disso, Selene tenta fugir com seu amor, um híbrido caçado pelos Lycans. No meio da fuga os dois são capturados e levados para o laboratório de uma corporação. Selene é misteriosamente libertada e corre atrás para saber onde está, qual o motivo de ter ido parar ali e quem a libertou.
É agoniante saber que 5 mãos escreveram esse filme. A história é praticamente inexistente e o que existe é completamente confuso. Nunca sabemos se o filme se trata da busca da protagonista, do expurgo das raças, da contínua guerra entre Lycans e Vampiros ou da "reviravolta" que acontece logo em seu começo. Perdido em sua própria história, o roteiro é claramente uma simples desculpa para uma punhetagem visual inacreditável, que nem mesmo é competente para cobrir as falhas do script. Recheado de diálogos risíveis que beiram o patético, o texto ainda escracha a preguiça e falta de cuidado de seus escritores ao apresentar o policial Kolb (Jacob Blair) como parceiro inexperiente e incômodo do detetive Sebastian (Michael Ealy) que, sem explicações ou qualquer tipo de preocupação, some da projeção de forma abrupta, como se os roteiristas tivessem simplesmente se esquecido que criaram aquele personagem algum dia.
Ainda no quesito personagens somos apresentados à menina Eve (India Eisley) que deveria apresentar algum tipo de importância a trama, mas sua história nunca é realmente explicada, sua importância nunca realmente mostrada e a personagem é rasa como uma piscina infantil, deixando em cena apenas mais um rostinho bonito de enfeite.
Tendo em mãos um roteiro tão problemático e rasteiro, os diretores não se esforçam nem um pouco para melhorar as coisas. Trabalhando com o visual "over" e fora de tom de todo o filme - desde figurinos a interiores - que já é característico da série, Marlind e Stein apresentam sempre cenas de ação sem graça, apostando na violência e sanguinolência de suas sequências que não funcionam em momento algum, chegando a constranger o espectador já que criar cenas divertidas e empolgantes envolvendo uma gostosa e alguns lobos e vampiros deveria ser obrigação de qualquer diretor que ousa lançar um filme. Essa escolha pelo gore poderia ser vista como corajosa, mas ao vermos como os diretores conduzem o filme, logo percebemos que servem como metáfora para os clássicos adolescentes "Macho Alfa". Explico: a câmera sempre procura pelos ângulos mais "reveladores" de Beckinsale e sua apertada e maravilhosa roupa de couro, mostrando seus seios ou bunda em close sempre que uma pose mais elástica os realça, mas quando temos a protagonista nua, toda a coragem desaparece instantaneamente e em vez de uma cena épica que salvaria parte da projeção, somos agraciados pelos braços da atriz cobrindo seus dotes e truques de câmeras para esconder os corpo desnudo da mesma.
Piorando um pouco mais as coisas temos um elenco ímpar. Todos parecem ter saído de uma câmara de congelamento facial exibindo uma inexpressividade torturante durante todos os longos 90 minutos de filme. A única que consegue sair desse estado é Beckinsale que consegue alternar entre a inexpressividade e a velha tática de qualquer vestibulando ou aluno de ensino médio ao encarar uma prova de múltipla escolha: utilizando uma cara de assustada/surpresa em toda a projeção, a atriz acaba por acertar em alguns momentos, fazendo com que sua quase careta combine com a cena e situação na qual se encontra, tornando tudo um pouco menos patético.
Mesmo assim esse filme me fez pensar e chegar a duas certeiras conclusões:
1) Logo algum programa de filmes da madrugada de um canal aberto se deliciará com toda a franquia Anjos da Noite.
2) Toda a franquia deveria seguir seu nome original e se jogar no submundo das produções Hollywoodianas.
NOTA: 1.5/5
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